Com atividade de alto risco, seguro para lavoura evita prejuízos aos agricultores

A agricultura é uma atividade de alto risco, pois a produtividade e qualidade de seus produtos estão diretamente ligadas ao clima

O portal Paiquerê FM News continua com a programação especial no mês de julho com destaque ao campo e ao produtor rural. Neste episódio, será abordado a importância do seguro no agronegócio. As matérias são veiculadas em nossa programação às segundas–feiras de julho sempre às 6h30 da manhã durante o programa 'Rádio Notícias 1ª Edição' e, com reprise, às 18h30, no 'Rádio Notícias 2ª Edição'.

Em entrevista concedida à nossa equipe de jornalismo, Claudemir Rossetto, presidente do Grupo Rossetto, comentou sobre o assunto e, na oportunidade, enfatizou que o seguro rural não cobre prejuízos causados por pandemias como a atual da Covid-19 ou, até mesmo, uma possível destruição do plantio devido a praga de gafanhotos – a nuvem de insetos está na Argentina há algumas semanas e se aproxima do Brasil.

“O seguro para lavoura é bem específico e vai cobrir os riscos climáticos. Também pode entrar um risco de acidente, como um incêndio. O seguro vai cobrir lavouras de inverno por causa da geada. Falta de chuva na seca ou até excesso de chuva na colheita. Além disso, granizo e ventos fortes. O seguro não vai cobrir pragas de gafanhoto, nem outras pragas, nem a doença da Covid-19 ou doenças da própria planta”.

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As incertezas e a tensão diária

Rossetto ressaltou os benefícios do seguro, já que o agricultor possui um alto investimento para iniciar sua produção. “No agronegócio teve a fase que o agricultor plantava para sua subsistência, hoje agricultura é um negócio. Ele precisa adquirir uma semente, fertilizante, defensivos e isso gera um investimento bastante representativo. Assim, o agricultor consegue fazer uma gestão de risco no sentido de comprar uma boa semente, um bom fertilizante, cuidar da terra, porém o agricultor não consegue controlar o clima, ele vive uma tensão diária e convive com a incerteza da semente brotar, se vai chover na medida certa”, salientou.

Como funciona literalmente o seguro agrícola?

Para Claudemir Rossetto, “neste momento que entra o seguro da lavoura conhecido como seguro agrícola, que tem o objetivo de garantir uma produtividade. A seguradora garante para ele que se fizer o plantio dentro do zoneamento agrícola e usar as sementes certificadas e tomar todas as providências legais que a seguradora garante para ele uma produtividade mínima, por exemplo: uma lavoura de verão tem o risco de seca, de incêndio e podemos falar até de chuva excessiva na colheita, estes são os riscos climáticos. A seguradora vai te dar uma garantia que funciona mais ou menos assim: se você seguiu todas as regras garante para você 80 sacas por alqueire, se você colher 80 sacas para cima você não reclama sinistro, se você colher 70 sacas e seguiu todas as regras, houve uma diferença de 10 sacas, a seguradora vai em dinheiro pagar 10 sacas por alqueires. O seguro agrícola é de uma importância vital”.

Subvenção agrícola é segurança para o produtor

A atividade agrícola é um dos motores da economia nacional. O setor agropecuário mantém o abastecimento nacional e também é reponsável pela movimentação de altas cifras, a partir da exportação. De acordo com dados do Ministério da Agricultura (Mapa), apesar de uma queda 4,3% frente a 2018, as exportações do agronegócio fecharam o ano passado em US$ 96,79 bilhões. Diante de uma atividade economicamente fundamental, é importante para o produtor e também para o Governo, reduzir os riscos das atividades produtivas no campo. O Mapa conta com o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com a finalidade de disponibilizar recursos financeiros para que o agricultor possa contratar o seguro rural. No ano passado, cerca de 58 mil produtores rurais utilizaram o benefício. A subvenção consiste no repasse de verbas públicas às seguradoras que integram os programas nacionais de incentivo à agropecuária. Diferente de outros setores, os riscos no campo são proporcionalmente maiores, já que atingem um grande número de produtores de uma única vez.

O seguro no Brasil

Os primeiros registros da contratação de seguro rural no Brasil são de outubro de 1939. O Estado de São Paulo foi o primeiro a disciplinar a contratação da garantia contra o granizo por produtores de algodão. Uma das experiências mais bem sucedidas se desenvolveu ainda em 1955, no sul do país. De acordo com o artigo 'Histórico do seguro rural no Brasil', assinado por Victor Lúcio Santos Prado, nesta ocasião mais de 135 mil produtores de fumo do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul criaram a Associação dos Fumicultores do Brasil (AFUBRA). A entidade foi responsável pela criação de um seguro agrícola protegendo os produtores contra perdas causadas pelo granizo e por fortes ventos; as garantias financeiras eram provenientes de recursos dos próprios agricultores.

Apenas em 1979, o Congresso Nacional aprovou o III Plano Nacional de Desenvolvimento. A normativa apontava para a implantação de um sistema nacional de seguro rural, considerando a importância da atividade para a economia nacional. Na Constituição de 1988, o seguro agrícola é classificado como instrumento essencial para o planejamento e a execução da Política Agrícola. Já mais recentemente, o autor destaca, entre os anos 80 e 90, a Cooperativa Agropecuária Batavo, que oferecia garantias aos produtores de soja e milho, contra seca, granizo, pragas ou doenças.

A importância da busca por um profissional especializado

Por fim, Rossetto orientou aos agricultores a buscarem algum seguro para sua lavoura. "Nossa orientação para o agricultor é que ele procure sempre empresas, corretores de seguros especializados no seguro do agronegócio para que ele saiba exatamente o que está contratando e não tenha nenhum tipo de surpresa desagradável na hora de acionar o seguro”, finalizou.

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Dia do Agricultor

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