ARTIGO: Seria a economia solidária uma alternativa?

Atualmente, país conta com 13 milhões de desempregados

No momento em que muito se discute a respeito de como é possível reintegrar à formalidade os 13 milhões de desempregados no Brasil, devemos pensar em primeiro lugar no efeito imediato deste problema que é o desenvolvimento de uma marginalização social, pois pais e mães de família, jovens e outros tantos que já viviam na informalidade, somam no que é claramente um problema social que também é político.

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Infelizmente ao que tudo indica os anos de atraso decorrentes de políticas equivocadas no âmbito social e econômico fizeram com que o impacto da crise que começou lá em 2008 apenas fosse agravado, e enquanto a grande maioria dos países já saiu da crise e agora cresce, o Brasil parece continuar amarrado. Basta vermos o exemplo de Portugal, que foi bastante abalado pela famigerada crise, e hoje apresenta-se como uma alternativa na Europa dissonante, para que inclusive brasileiros tentem a vida fora do Brasil.

Nosso país falha tanto na condução de medidas econômicas vinculadas à política interna e externa, quanto no tocante ao tratamento do problema social que criou, e falha miseravelmente na promoção de alternativas que também seriam um processo de construção baseado em políticas públicas efetivas que pudessem promover a sustentabilidade econômica e social dos grupos marginalizados.

Vale destacar como de tempos em tempos procuro fazer, que o modelo de arranjo econômico alternativo existente na Economia Solidária poderia constituir-se como política alternativa de resolução do problema da marginalização social pela reinserção de parte da sociedade na vida econômica, ou seja, torná-los partícipes da economia nacional.

O grande problema é que mesmo quando supostamente a Economia Solidária foi levada a sério, e leia-se sério, pelo fato de que o próprio Paul Singer esteve à frente da Secretaria Nacional de Economia Solidária, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, esta não foi tratada como deveria, ou seja, não houve de fato a criação de uma política pública nacional de Economia Solidária, mas sim o uso político desta para gerar capital político ao governo do PT.

Analisando a teoria, o próprio Singer colocava que a Economia Solidária seria um aparato alternativo pelo qual seria possível aos atores sociais constrangidos pelo sistema naturalmente desigual, atingir a condição de inseridos na sociedade. Essa condição teria em sua gênese a inclusão dos indivíduos no sistema econômico e até mesmo uma emancipação social a partir da condição de serem donos de si mesmos e de sua força de trabalho.

Embora tenhamos casos de sucesso espalhados pelo país, inclusive comunidades que se reinventaram a partir da Economia Solidária, a grande maioria do que se vê em termos de exemplos de arranjos dessa natureza são pequenas cooperativas de produtores rurais, de artesanato, e mesmo de recicladores, que conseguiram sim cada qual na sua proporção uma emancipação social, e hoje participam da economia, mas que poderiam ser muito mais dependendo do nível de profissionalização dos grupos.

Me lembro de Antonio David Cattani e de sua visão de que a reinserção social e sua correspondente premissa emancipatória a partir dos arranjos sociais solidários, partiria do princípio de que uma vez organizados, os envolvidos poderiam a partir de seus esforços acessar riquezas geradas por seu trabalho, assim como garantir acesso a informações por meio de uma ascensão aos recursos privados, e por fim, poderiam participar de um processo decisório democrático.

Não é o que acontece hoje e muito se deve ao tipo de formação social, política e econômica do Brasil, pois como poderia me esquecer de Mondragon, cidade cooperada espanhola (dentro do País Basco), que é um exemplo de cooperativa social e econômica que muitos querem copiar, mas que até o momento não foi reproduzido em escala, em específico pela falta de uma política que seja efetivamente baseada nos princípios da Economia Solidária.

Respondendo ao questionamento que dá título a este artigo, sim, a Economia Solidária seria uma alternativa, desde que seu modelo fosse levado a sério por aqueles que estão no poder e esta fosse de fato parte de uma política nacional. Mas em tempos em que um governo vem e outro vai e o que se observa não é o interesse público, mas sim o interesse pessoal de grupos inebriados pelo poder, dificilmente veremos algo efetivamente ser trabalhado em favor da população que realmente sofre com o desemprego, ou o emprego informal.

Até a próxima!

Ivan Ferreira de Campos (@ivanf1983) é administrador, consultor e professor universitário. Acompanhe também as publicações pelo Twitter e pelo YouTube, no canal MindSolution - Visao e Gestao